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Áreas de Estudo

A Área de Proteção Ambiental (APA) Gama e Cabeça do Veado, localizada no Distrito Federal, tem cerca de 25.000 hectares contínuos e perímetro de aproximadamente 67.000m. Criada pelo decreto no 9.417, de 21 de abril de 1986, assinado pelo governador do Distrito Federal, essa APA engloba áreas urbanas, rurais e de preservação e experimentação. Nessa APA predominam os solos espessos (latossolos), principalmente na região depressão do Paranoá, mas nas áreas de relevo mais movimentado os solos são mais rasos. Solos litóticos aparecem nas áreas de afloramento rochoso, nas cabeceiras dos cursos d'água, e os hidromórficos podem ser observados em vales, onde aparecem Matas de Galeria e Veredas. A elevada heterogeneidade ambiental propicia a ocorrência de quase todas as fitofisionomias do bioma Cerrado: Campo Limpo, Campo Sujo, Cerrado stricto sensu, Cerradão, Veredas e Mata de Galeria. Consequentemente, tanto a diversidade florística como a faunística são muito altas e incluem espécies representantes de plantas e animais endêmicos do bioma Cerrado. Essa APA é de suma importância considerando a conservação do Cerrado no Distrito Federal, tendo em vista que a maior parte da cobertura vegetal original já foi destruída nesta Unidade da Federação, devido principalmente a práticas agrícolas, parcelamento do solo, exploração mineral, desmatamento para uso em carvoarias, queimadas sazonais e o crescimento urbano não planejado.

As áreas correspondentes à Fazenda Água Limpa, Jardim Botânico de Brasília, Reserva Ecológica do IBGE concentram a maior parte dos estudos vinculados a este projeto, e são protegidas. Em setembro de 2011 essas três áreas foram afetadas por um grave incêndio acidental, que modificou intensamente a paisagem e as pesquisas que vinham sendo conduzidas à época. Os estudos na APA Gama e Cabeça de Veado - AGCV foram iniciados em 1997 e atualmente encontram-se na segunda fase. Os diversos grupos taxonômicos abordados em estudos coordenados por pesquisadores da UnB, com a participação dos alunos dos programas de pós-graduação, tornam o sítio um importante centro de formação de pessoal, além de uma fonte de pesquisa e de produção de dados sobre a biodiversidade do Cerrado. Como as parcelas e pontos de coleta estão estabelecidos dentro de áreas protegidas, os resultados do programa também contribuem para o manejo e gestão dessas áreas. Em sua nova fase o sítio AGCV irá ampliar os estudos, com a inclusão de novas técnicas de amostragem, novos grupos taxonômicos e novas abordagens de análise integradora, especialmente a espacialização realística de processos e padrões da biodiversidade. Um dos importantes aspectos propostos para o sítio refere-se à associação dos eventos de perturbação ambiental (fogo) e isolamento de áreas com as variações observadas nos dados de espécies animais e vegetais. Ademais, o emprego de novas técnicas de amostragem não invasiva, como a bioacústica proposta para aves e morcegos, requererá o desenvolvimento e teste de novos protocolos de coleta de dados.

 

 

A Fazenda Água Limpa (FAL) é uma fazenda experimental e de ensino da Universidade de Brasília, localizada aproximadamente 30 Km do centro de Brasília, com cerca de 1.200 hectares destinados à experimentos e produção agro-florestal, 2.340 hectares de preservação e o restante da área (cerca de 950 ha) mantidos em bom estado de conservação.

 

A Reserva Ecológica do IBGE (RECOR) é uma unidade de conservação permanente criada pela presidência do IBGE, em 1975. Está situada a 30 km ao sul do centro de Brasília/ DF, Km 0, BR 251, nas coordenadas geográficas de 15º 56' 41" S e 47º 53' 07"W e possui 1.360 hecttares. Em sua área podem ser encontradas as principais fitofisionomias do Cerrado, nascentes de importantes cursos d'água que formam a Bacia do Paranoá, fauna silvestre diversificada e um importante acervo de conhecimento científico, acumulado ao longo de 34 anos de pesquisas ecológicas focadas nas observações de longo prazo.

 

A Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília – EEJBB- é administrada pelo Jardim Botânico de Brasília – JBB, criado em 08 de março de 1985, possui 5.000 hectares, e vem atuando em pesquisa, conservação e manutenção de germoplasma do Cerrado in situ e ex situ. Os objetivos institucionais do JBB, definidos pelo seu corpo técnico, são: “Promover a conservação da flora do Cerrado e suas coleções científicas, a pesquisa, a educação ambiental e o lazer orientado, contribuindo para o esforço global do desenvolvimento sustentável”. Tais objetivos consideraram os atributos legais que regem Jardins Botânicos, como as Resoluções CONAMA 266/2000 e 339/2004.

 

 

Figura 1 – Mosaico de áreas protegidas. 1) EEJBB e Jardim Botânico de Brasília; 2) Reserva Ecológica do IBGE e 3) Fazenda Água Limpa – UnB. Em vermelho a APA dos córregos Gama e Cabeça de Veado (Fonte: JBB).